Treinamento de Inclusão e Proteção Infantil: Capacitando a Liderança para Acolher com o Amor de Cristo
Treinamento de Inclusão e Proteção da Criança e do Adolescente – Região Norte 1
Com o objetivo de capacitar a liderança e preparar as igrejas para serem ambientes verdadeiramente inclusivos e seguros, a IEQ Sede Joinville promoveu um treinamento essencial para pastores, líderes, diaconato e ministério infantil. O evento contou com três abordagens fundamentais:
1. Nem Tudo é o que Parece: Compreendendo o Autismo e o TDAH
A primeira palestra foi ministrada pelo psicólogo Thiago Marques, especialista no atendimento domiciliar de crianças atípicas.
- Mudança de Mentalidade: Thiago destacou que muitos julgamentos rápidos acontecem em frações de segundos. Ele alertou sobre a importância de substituir o olhar de julgamento em relação a comportamentos agitados ou crises por um olhar de empatia.
- Crise vs. Birra: Foi explicada a diferença científica entre uma birra (que tem o objetivo de conseguir algo) e uma crise sensorial/emocional (onde há sofrimento real e sobrecarga no cérebro).
- Acolhimento Prático: O psicólogo orientou que, em casos de crises durante o culto, os líderes não devem conter a criança diretamente, mas sim acolher e perguntar à família como podem ajudar da melhor forma.
2. Inclusão é Mais que Acesso, é Pertencimento
A segunda ministração foi conduzida pela pedagoga Joelma Maia da Silva, que possui quase 30 anos de experiência na rede municipal e atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE).
- Dons e Propósitos: Joelma enfatizou que os dons do Espírito Santo são dados a todos, sem distinção. A igreja deve observar e valorizar as habilidades e potencialidades de pessoas com deficiência intelectual ou autismo, incluindo-as ativamente nos ministérios (como recepção ou louvor).
- Derrubando Barreiras: Foram discutidas as barreiras físicas (acessibilidade), de comunicação (como falar diretamente com a pessoa e a importância da Libras) e atitudinais (quebrar o preconceito de enxergar a pessoa com deficiência apenas como alguém incapaz).
- Rotina e Previsibilidade: A manutenção de uma rotina clara nos cultos e o uso de recursos visuais ajudam a evitar que crianças com autismo ou TDAH fiquem ansiosas e se desregulem.
3. Protocolo Legal de Proteção Infantil (Lei 14.811)
A última etapa foi apresentada pelo advogado Dr. Geovani, que tratou da segurança jurídica e da prevenção à violência e ao abuso infantil no âmbito da igreja.
- Implementação de Protocolos: Baseado na legislação recente, foi apresentada uma cartilha de procedimentos para resguardar a integridade física e emocional dos menores e proteger juridicamente a liderança.
- Boas Práticas: Destacou-se a "regra dos dois adultos" (evitar que um único voluntário fique totalmente isolado com uma criança), a necessidade de relatórios de observação contínuos e o cuidado estrito com a exposição de imagens em redes digitais.
- Segurança nos Ministérios: O protocolo sugere que todos os voluntários que atuam diretamente com crianças preencham termos de compromisso e apresentem certidões de antecedentes emitidas pelos órgãos oficiais, garantindo uma triagem segura.
"A inclusão não é apenas um projeto, é uma expressão pura do Evangelho de Cristo. Todos precisam ser alcançados e todos têm um lugar no Corpo."